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Passeios Cariocas

No Rio de Janeiro, sim, sempre falo sobre o #rio, ainda mais agora que a Revista da Folha, @revistadafolha, na sua última edição publicou o resultado de uma pesquisa na qual a cidade aparece como o destino predileto para férias dos brasileiros. E, não adianta negar, apesar da violência a cidade conseguiu manter um certo charme que é ainda é bastante atraente. Praias lindas, vida urbana e noite agitada, e com um centro histórico lindo. Sempre esteve ali, meio escondido, mas a última gestão da prefeitura conseguiu resgatá-lo para a população ao retirar um viaduto – a Avenida Perimetral, que o escondia dos seus moradores. Dizem que foi para os turistas, pode ser no futuro, o Rio de Janeiro hoje recebe poucos turistas quando comparado com destinos na Europa e nos EUA.

Para manter o clima histórico da cidade recomendo que ouçam a Rádio Batuta do IMS – Instituto Moreira Salles, e que agora também vai ao ar na Rádio MEC.

Escuta aqui, como dizemos por lá.

Veja a Revista da Folha aqui.

Leia mais sobre o número de turistas no Brasil.

www.cozinhadamarcia.com.br A violência, essa feita de assaltos pequenos como roubo de celular, arrancar corrente de ouro do pescoço, tomar bolsa de pessoas idosas, tudo aquilo que deixa turista nervoso, segue firme. A maior parte das ocorrências é filmada por câmaras dos prédios e de trânsito. E desde quando proibiram os capoeiras em uma lei de 1890, só extinta em 1937, quando imagino que esta tenha deixado de ser usada como forma de luta, o centro da cidade sempre foi tomado de ladrões acostumados a rondar a região da atual Praça Quinze de Novembro na proximidade do Paço Imperial.

Para saber mais sobre a capoeira

Duvido muito que um dia busquem outras freguesias, o espaço está ocupado de maneira inconfundível por sua importância cultural e econômica – historicamente ali ficavam as igrejas mais importantes da cidade, portanto era a sede da vida social no século XVIII. Também o Paço Imperial era ali, hoje o Museu do Paço, localizado em outras épocas quase de frente para o mar, foi primeiro a sede do vice-reinado, depois a sede do Império. A região ainda contava com o porto do Rio, tinha o mercado de peixe, e outros entrepostos ligados ao abastecimento de navios na cidade.

O fato é que pequenos ladrões e suas violências estão ali desde o século 19, quem sabe antes. E, a sua presença era constante nas bordas do que era a cidade – de um lado, em direção à zonas rurais onde hoje estão os subúrbios, e do outro da enseada do Flamengo. Assim protegidos da repressão pelo fácil acesso ao antigo morro do Castelo, situado no centro da cidade, a repressão às suas atividades de roubo deu início ao que depois se desenvolveria como parte de uma série de justificativas para um modelo de urbanismo discriminatório que até hoje é replicado: a retirada das moradias populares de determinadas regiões em nome de se aumentar a segurança. Quer dizer, um dos muitos motivos.

www.cozinhadamarcia.com.brNo caso do Morro do Castelo, com suas moradias decadentes, acabou ocupar um espaço muito central que poderia ser bem utilizado se aplainado e, ainda melhor, com o aterro da orla da cidade. O desmonte realizado em 1922, abriu uma área enorme, a esplanada do Castelo em ampliando-se assim a área já anteriormente aterrada do centro. Todas essas mudanças foram mostradas em uma exposição de fotografias no Paço com imagens do acervo do Instituto Moreira Salles.

Ainda no Paço Imperial visitei uma exposição, melhor dizendo, uma área com oficinas de trabalho aberta ao público – bastava se inscrever, patrocinado pelo Governo do Japão que mostra como a troca entre países de culturas diversas é  sempre uma experiência enriquecedora. Vou contar essa história um pouco adiante, as Olimpíadas deixaram muitas novidades na cidade, e os japoneses generosamente se propuseram a participar com a sua tradição tão rica.

Lanchamos, não estava sozinha no meu passeio, na Confeitaria Pavelka – essa é outra história que conto em seguida. Forças refeitas, voltamos para casa.

Deli 43 Pavelka, no centro: Rua Gonçalves Dias, 43.