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Se um dia é dedicado às mulheres, o que acontece nos demais? Parece um dia de trégua no qual se deveria parar para refletir sobre as poucas oportunidades que são oferecidas às meninas brasileiras e como temos hoje jovens corajosas e que batalham por uma vida melhor. É só olhar em volta e teremos um exemplo atrás do outro.

No Brasil, um país que debate o tempo inteiro os seus problemas e que a classe política insiste em se comportar como se estivesse nos tempos do vice-reinado do século 18, tirando o maior proveito em causa própria e deixando uma sobrinha para educação, saúde, estradas, florestas e tudo aquilo que garante a sobrevivência da população, temos alguns bons motivos para comemorar essa consciência da importância das mulheres.

Devemos isso à geração de mulheres que é ou seria a das avós dos atuais millenials, elas foram às ruas contra o excesso de repressão na suas vidas pessoais e na vida política, meteram na cabeça que valiam tanto quanto os homens e decidiram frequentar universidades e trabalhar para sustentar suas famílias, tiveram a coragem de se separar e ouvir que eram desquitadas, o que na época – nos anos 60 e 70 do século passado – equivalia a ser chamada ou quase de puta, e as crianças ainda tinham que ouvir isso dos amiguinhos. Foram corajosas ao deixar as filhas namorar escondido quem elas quisessem para não casarem infelizes, e deixaram suas filhas morar junto com os namorados, pelo menos nos segundos casamentos, em um país que não tinha divórcio. Tivemos grandes mulheres, sobretudo as atrizes que falaram alto a favor da cultura, contra a censura e o machismo.

Nem todas cozinhavam, aliás moças de classe média alta se especializavam em doces finos, e não foram poucas que, abandonadas pelos maridos e sem profissão, passaram a mão no avental e transformaram os seus dotes em profissão. As demais, médicas, engenheiras, artistas, arquitetas, pesquisadoras já estavam produzindo e ganhando seus salários. Sempre menores do que o de homens com frequência mais medíocres.

Essa consciência contra a violência resultou no fim de um artigo prá lá de sem vergonha que protegia o homem quando matava uma mulher no que se descrevia como a legítima defesa da honra, e que mais tarde resultou na Lei Maria da Penha,

Mas o dia da mulher, que finalmente foi abraçado pelo departamento de marketing das empresas, só que com o tempo apesar de bem intencionado ficou com muitas ações pequenas como dar flores, um pouco bobo para as mulheres de hoje. Não vi hoje, dia 8 de março de 2018, nenhuma grande empresa anunciar o lançamento de uma grande fundação, fundo de investimento ou hospital para mulheres de todas as idades.

Uma das principais articuladoras do voto feminino em 1932 foi Bertha Lutz, leia sobre ela aqui

Atrizes como Eva Todor, Leila Diniz, Ana Maria Magalhães, Norma Benguel, e outras na foto no destaque foram porta-voz da sociedade brasileira contra o regime militar no país entre 1964 e 1985. Na foto vemos Tonia Carrero, Ana Maria Magalhães e Leila Diniz na frente da passeata contra a censura, na Cinelândia no Rio de Janeiro, em 1968. Não consegui encontrar a data correta.

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Eu como cozinheira por vezes me consolo com comidas preparadas com raizes, do solo trazem o equilíbrio e a coragem para tocar adiante.

Receita de purê de cará macio