Quando os portugueses e franceses e holandeses chegaram por aqui, no começo do século XVI, encontraram alguns alimentos no Brasil já faziam parte do cardápio indígena. Além da mandioca, importante no cotidiano dos habitantes cuja origem é brasileira; o milho já havia chegado até aqui em uma expansão natural a partir do México e dos países andinos.

O interessante é que a utilização do milho nos mostra como alguns dos povos que moravam por aqui tinham agricultura e provavelmente criavam alguns animais para consumo, escambo e mais tarde comércio com os portugueses. Existem muitos relatos de viajantes e bandeirantes sobre como se alimentavm pelo caminho para o interior. Infelizmente, essas são também as histórias sobre a perseguição e aprisionamento dos nativos que, aos poucos foram empurrados cada vez mais para o interior e, por força das circunstâncias modificaram hábitos inclusive alimentares. Mas inicialmente obtinham do milho as bebidas, algumas fermentadas, e as farinhas.

Encontrei em um livro uma receita muito antiga de biscoitos finos preparados com farinha de milho e, pelo modo como é preparada, ela talvez tenha a sua origem no Brasil ou em um dos países das colônias espanholas. Diria que por volta do século XVII, quando os primeiros engenhos de açúcar já estavam estabelecidos e alguns hábitos indígenas já tiveram tempo suficiente para serem incorporados ao dia-a-dia mais sedentáriodos colonizadores.

 

 

A receita é muito simples, adequada aos possíveis fogões, tanto a lenha como a um simples fogo com pedras bem aquecidas. Não tem uma fórmula com as quantidades exatas, mas tem uma explicação preciosa e se por isso não há como errar. Mistura-se apenas fubá com água salgada até soltar da mão, e ao testar foi exatamente isso que aconteceu, o fubá molhado aos poucos chega a um ponto de saturação e se transforma em uma massa macia e gostosa que despega das mãos. Não é preciso sovar a massa porque o fubá não contém glúten, ela não ficará melhor. Ao soltar da mão está pronta!

Veja a foto da massa pronta.

Após meia hora de descanso, coberta por um pano úmido, a receita descreve com muita precisão como prosseguir: pequenas porções de massa do tamanho de um punho deverão ser são achatadas sobre um pano limpo. O meu punho é muito pequeno, portanto peguei porções ligeiramente maiores. Acertei o formato com o auxílio de uma xícara de chá para ficarem mais uniformes e, em seguida, mais corajosa com o bom resultado dos primeiros biscoitos cortei o resto da massa com uma xícara de cafezinho.

Veja como cortar os biscoitos crús.

Esses discos delicados podem ser colocados para secar sobre a chapa do fogão ou fritados na banha de porco, que deve ser uma delícia. Infelizmente quem hoje em dia teria coragem de fazer isso? Modestamente achei mais adequado aos tempos atuais untar uma frigideira com muito pouco azeite. Os biscoitos ao secar encolhem, enrijecem e ficam deliciosos. Já por minha conta polvilhei com um pouco de pimenta e sal.

Veja como fazer a massa dos biscoitos

Veja a foto dos biscoitos prontos

Clique no link para ver como fazer os biscoitos