Santo Antonio é considerado um bom santo para arrumar casamentos e, em sua homenagem prepara-se um bolo de amendoim. Como ele, São João e São Pedro são festejados durante o mês de junho, e talvez por isso esqueçamos que as festas para cada santo podem ser diferentes e que para cada uma podemos servir outra comida.

Se São João é uma festa de rua com o seu arraial, barraquinhas, prendas e adivinhações; Santo Antonio é uma festa de Igreja e de casa. Na Igreja paga-se as promessas e em casa pede-se por um bom marido com as suas simpatias. Quem não jogou papeis cortadinhos com as letras do alfabeto para descobrir o nome do possível noivo? Ou não pulou corda cantando: “Com quem voce pretende se casar? Louro, moreno, careca ou cabeludo, rei, soldado, capitão, ladrão? Qual é a letra do seu coração? A, b, c, d?” Eu ainda escutei essa brincadeira na Barra do Sahy, no litoral norte de São Paulo, há aproximadamente 16 anos.

Esse é um bolo raramente preparado fora do mês de junho, talvez por conta da safra do amendoim que vai de março até o final de maio. Na verdade, esta receita é uma adaptação de um bolo conhecido como bolo de Santo Antonio e deveria ser preparado por uma moça solteira, quem sabe assim ela encantaria um bom moço casadoiro.

Hoje em dia, no entanto, fora as paçocas, cada dia vê-se menos doces preparados com amendoim. Em poucas festas servem cajuzinhos, uma massa de amendoim com formato de um caju, paçoca é doce de menino, para ser comido na saída da escola e, e a julgar pelas caixas colocadas de maneira estratégica nos caixas nas padarias, ainda fazem bastante sucesso.

Mas os bolos finos de antigamente usavam com frequência amendoins no lugar de amêndoas. Os primeiros são brasileiros da gema, os portugueses os encontraram ao chegarem por aqui, embora a população nativa os consumissem crus. Deve ser questão de gosto, uma vez que já naquela época preparavam mingaus, aluás e farinhas de mandioca e de milho.

As amêndoas já eram plantadas e utilizadas em todo tipo de doces em Portugal no século 16, mas não se adaptam ao clima tropical e tem que ser importadas, o preço é claro é maior e a distribuição mais complicada. O amendoim, até cair em desgraça por excesso de calorias, era muito valorizado. Hoje é ingrediente do vatapá, vendido na casca em estádios de futebol e reaparece como doce nas festas juninas.