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Por quatro dias fiquei em Madri, mas na verdade eu fiquei em um único bairro, perto dos grandes museus da cidade. O primeiro que visitei foi o Museu do Prado (clique para ler o post), o segundo foi o Museu Reina Sofia que abriga Guernica,  o quadro pintado por Pablo Picasso contra os horrores da Guerra Civil espanhola. O quadro já prenunciava o que viria a seguir com a chegada da Segunda Guerra Mundial. Foi uma pré-estreia e tanto. Francisco Franco convocou os seus aliados, a Alemanha sob o regime nazista, para bombardear a cidade de Guernica que resistia a seu governo fascista. A cidade foi destruída em abril de 1937.

Franco foi ditador da Espanha de 1936 até a sua morte em 1975. E, Picasso presenteou o quadro para a Espanha, mas deixou-o em comodato no MOMA – Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. O quadro, no entanto, só poderia ir para a Espanha se e quando o país tivesse um governo democrático, o que só aconteceu em 1974,  o quadro está exposto em Madrid desde 1981.

O Reina Sofia reúne grande número de quadros de pintores modernos espanhóis, salas e salas com trabalhos importantes de Miró, Salvador Dali entre muitos outros. Os artistas brasileiros também tem uma sala no museu – a colecionadora venezuelana Patrícia Phelps de Cisneros doou diversas obras produzidas nos anos cinquenta; o museu ainda abriga obras de pintores e escultores americanos importantes, e exposições temporárias, enfim uma visita imperdível.

O horário espanhol é diferente do nosso, e é delicioso poder comer no centro da cidade em plena quarta-feira lá pelas duas e meia da tarde. A região é uma mistura da arquitetura do final do século XIX até o começo dos anos 50. Um ou outro prédio mais antigo, foi muito bombardeada durante a Guerra Civil Espanhola. Almocei em um restaurante à moda antiga, muito parecido com os restaurantes antigos do centro do Rio de Janeiro. Toalha branca engomada na mesa, garçons simpáticos e pratos bem servidos.

www.cozinhadamarcia.com.brO menu do dia começava com o caldo do cozido madrilenho, prato típico um pouco como o nosso cozido de origem portuguesa,  em seguida peixe ou carne e uma torta de sobremesa, um copo de vinho tinto da casa incluído. Tudo por treze euros e um pouquinho. É um lugar para se almoçar – fui jantar em um dos dias que fiquei na cidade, apenas por que fica na frente do hotel onde estava hospedada, e só tinha frituras. Estava cheio, devo dizer, mas não adoro tanto frituras.
Restaurante Fuente De La Fama

No dia seguinte, num desses acasos, um conhecido nos recomendou um restaurante que hoje está entre os dez melhores de Madri, Triciclo. Sentamos no bar, não tinham mais mesas no restaurante. O restaurante abre às 20h30 e chegamos quinze minutos antes – estava cheio de gente que como nós esperava um lugar no bar. Então, ou reservem alguns dias antes ou cheguem cedo.  Os pratos também são servidos em meia porção ou com um terço do tamanho original, o que facilita cada um pedir um prato diferente e todos trocarem. E para melhorar refletem a culinária espanhola moderna onde sabores do mar e da terra se misturam delicadamente. Guardem espaço para a sobremesa.

Triciclo – Calle de Santa Maria, 28, Madri
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