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O centro histórico do Rio de Janeiro tem algumas tradições inabaladas desde o período colonial, quando a cidade era um porto de onde se embarcava o açúcar e o corante índigo para a Europa. A venda de frutas frescas é uma delas, os vendedores se espalhavam pelas vielas estreitas e esburacadas, ou faziam ponto nos portais de igrejas barrocas ou nos prédios com maior visibilidade, como se pode ver na aquarela do começo do século XIX, do artista francês Jean-Baptiste Debret.

A venda das frutas nas ruas da cidade até hoje tem lá seus problemas dadas as condições de higiene em que ficam expostas, normalmente em carrinhos feitos em casa, mal pintados. As frutas ao sol atraem as moscas… e por aí vamos. A atividade é tão antiga quanto o seu combate. Mas, a população está habituada a comprar na rua, e no Rio ninguém liga.

Desde que me lembre os vendedores sempre estiveram por ali, com seus carrinhos-bandejas com as frutas em grande quantidade esparramadas por toda a superfície, principalmente no verão. Em outras épocas do ano tem laranja, bananas e mamão, com menos fartura. Difícil não comprar, as frutam refrescam – tem um colorido intenso e são atraentes, parece bobagem, mas suas cores prometem muitas alegrias, adoçam o bico e com a sensação térmica acima de 40 graus, a sua ligeira acidez anima o corpo.

Esse ano tem muita goiaba, da vermelha, com seu sabor e perfume mais forte do que a da branca, essa por sua vez cada vez mais rara. Quando eu era pequena fazia-se doce de goiaba em calda com os dois tipos, depois de descascadas e cortadas ao meio, e já com as sementes retiradas com uma colher de sobremesa, eram cozidas em calda de açúcar com um pau de canela. O segredo consistia ficar de olho para que as pequenas cuias formadas pelas frutas, muito delicadas, não se desmanchassem. Depois eram cuidadosamente transferidas para uma compoteira de vidro junto com o resto da calda.

As seriguelas e as pitombas também são frutos nativos, sua origem abrange a América Central e Sul, no verão são deliciosas. Na verdade eu prefiro as seriguelas, posso comer um quilo em pouco tempo. Se quiser fazer bonito, lave-as, distribua em uma tigela rasa com bastante gelo por cima e algumas folhas de coentro picado – fica muito bom! A pitomba com a sua polpa translúcida é uma fruta de sabor doce e perfumado.

Quer saber o que fazer com as duas? Recomendo comer ao natural e geladinhas; também fazem boa caipirinha da polpa.

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Observe que muitas delas também são originais de outros países da América do Sul e da América Latina

Imagem: Vendedora de cajus, Jean-Baptiste Debret [Domínio Público], via Wikimedia Commons. http://bit.ly/2jVymUo