A pitangueira é uma árvore original do Brasil, Uruguai e da Argentina, e que aos poucos ao longo de séculos espalhou-se pela região do Caribe, Guianas, Sul dos Estados Unidos. As suas frutas além de lindas, delicadas e com um sabor complexo. Logo na primeira mordida é azeda, logo em seguida a boca se enche de uma doçura meio inexplicável com um pequeno travo do tanino, como se fosse a cica de um caqui mas em menor escala. Podem ser encontradas de brancas até roxas escuras, mas as que encontramos por aí, em praias, a beira de estradas e nos quintais são as vermelhas.

Eu adoro pitangas, as árvores são rebeldes como nós brasileiros, não gostamos muito de ordens, não queremos fazer fila – reparem como uma fila de pereiras transforma-se facilmente em uma alameda e as pitangueiras são um emaranhado de galhos, adoram se enganchar com a árvore seguinte. Nada é óbvio na árvore; na hora da colheita as pitangas escondem-se atrás das suas folhas, e é preciso trocar de posição diversas vezes embaixo do pé para conseguirmos capturar as frutas maduras.

Para quem gosta de dormitar ao ar livre, não tem sombra melhor do que a de uma pitangueira. Baixinha, suave, qualquer brisa a refresca, é só colocar uma cadeira de praia e se deixar ficar, o que é uma arte, e das mais difíceis. Para quem gosta de fruta direto do pé, é esticar o braço e entrar na concorrência pelas pitangas junto com milhares de minúsculos insetos que mais parecem saídos do Sítio do Picapau Amarelo. Todos lindos, sugam de fruta em fruta as pitangas mais vermelhas. Esse final de semana subi no pé de casa munida de um banquinho e de uma colher de pau. Fiquei com medo de encontrar uma aranha pelo caminho e por isso levei uma arma. O resultado está nas receitas a seguir: a cachaça com pitanga e a geléia.

 

A pitangueira e as frutas tem ainda muitas qualidades medicinais, leia a seguir o artigo publicado pela EMBRAPA .

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