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A Omnivore é um salão de gastronomia para quem tem trinta e poucos anos, de acordo com a imprensa local. Realmente, só tinha moçada nos seus corredores e assistindo as aulas. O que é genial, também como dizem por aqui. Restaurante é uma indústria muito importante na França, ele representa a ponta final de todo um processo que começa na agricultura e termina com turistas consumindo a famosa comida francesa. Este é o país que mais recebe turistas no mundo, o que representa aproximadamente 85 milhões de pessoas, e 8% do PIB. E todos precisam comer à moda local. Existe uma lista de receitas chamadas clássicas que fazem parte de quase todos os cardápios e variam de acordo com a região.

Existem também muitas discussões sobre essa questão uma vez que alguns pratos viraram nacionais e, na verdade, até o final dos anos 70 do século passado quando os turistas começaram a chegar em massa, não faziam parte da alimentação de certas regiões. É simples de entender – região que cria porco não come boi e quem cria carneiro não come porco. Vez ou outra vá lá, mas não habitualmente. É isso que fez a cozinha francesa local importante, mas se misturou com uma outra série de pratos que eram servidos às famílias ricas, a cozinha burguesa, essa sim com uma lista de pratos comuns entre elas. Esses pratos, servidos em restaurantes com muitas estrelas ultrapassaram as fronteiras regionais e, acabaram de modo muito interessante, por representar a culinária da França.

Portanto, a indústria da alimentação é em grande escala, esqueçam do restaurante de comida especial que o turista acha que encontrou, ele não existe. Do grande fornecedor ao pequeno bistrô com apenas seis mesas, todos se utilizam da enorme gama de equipamentos e alimentos fornecidos por empresas de tamanhos variados, o mais das vezes gigantes multinacionais. Mesmo quando o alimento é produzido sem pesticidas. Não há como alimentar a sua população de 66 milhões de habitantes e os visitantes com pequenas empresas.

www.cozinhadamarcia.com.brAgora, eles apresentam seus produtos com muito charme em um ambiente de concorrência feroz. Trazem novidades como por exemplo uma nova gama de vinagres no qual misturam leite de coco ou tangerina, sucos de maçãs com essência de jasmim e apresentam uma cooperativa de sakê verdadeiro – isto é produzido a partir da fermentação do arroz sem ter álcool misturado ao produto.

Nos próximos posts vou falar um pouco de cada um deles por achar que no Brasil não estamos conseguindo criar em grande escala comidas diferentes, que enriquecem a mesa local. Ao contrário, é cada vez mais difícil encontrar nos mercados aquilo que já era normalmente produzido. A impressão que tenho é que não só a variedade vai faltar, mas a comida também.

A foto grande mostra uma pilha de embalagens de batatas diversas produzidas por um dos expositores.

Omnivore 2016 – de 5 a 8 de março

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