Algumas vezes a pressa é a melhor amiga da perfeição na cozinha, outras é como diz o ditado, a sua pior inimiga. A sua quero dizer a minha. Na correria viro uma cabeça de vento para ninguém botar defeito. Uma das minhas maiores falhas é que me esqueço de colocar açúcar no bolo. Foi o caso hoje. Ainda pensei no açúcar, olhei o vidro e guardei com os outros ingredientes, como se já o tivesse pesado e acrescentado à mistura dos secos.

Apesar do esquecimento, o resultado foi um pão de milho de primeira qualidade. Leve, bem fofo e com a lembrança no sabor daqueles pães de antigamente. Um pouco rústico, porém bem colorido, o amarelo na medida certa, parece feito na cozinha do Sítio do Picapau Amarelo, cujo autor, o Monteiro Lobato, no momento é muito criticado como racista, devido a uma série de expressões utilizadas no texto. E eram mesmo discriminatórias, o pior é que eram e em parte são ainda relativamente comuns.

É pena, pois o Sítio e todos os outros livros do autor embalaram a infância de muita gente no país; ensinaram-nos a ler, a ver as constelações no céu e hoje, depois de reler um deles concluo que já não se fazem mais avós como antigamente; D. Benta era uma senhora de sessenta e cinco anos, muito idosa, de cabelos brancos. Se algum de vocês por acaso encontrar alguém dessa idade nas mesmas condições de decrepitude de D. Benta, como descrita no livro As reinações de Narizinho, por favor, me avisem.

O pão a seguir é ótimo para servir em um brunch, café-da-manhã ou torrado com carnes frias. Aproveito para indicar mais algumas receitas que são boa companhia para o pão.

Pão doce de figos e passas

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Geleia rápida de framboesas