A última vez que ouvi falar em abiu foi na minha infância, podem acreditar. Lá em Teresópolis, no bairro da Posse tinha. Digo tinha porque a região foi completamente arrasada por uma gigantesca enxurrada, e talvez aas árvores tivessem sumido até antes da chuva.

Abiu era árvore de quintal utilitário, simples, sem paisagismo, que era coisa de casas enormes com lagos e plantas exóticas nesse passado tão próximo. As frutas serviam para fazer doce, cada uma em sua época, e algumas como as jabuticabas comia-se de preferência no pé, antes de serem transformadas em licor.

Pedrinho e Narizinho comiam muito abiu e abricó no Vale do Paraíba de Monteiro Lobato. Mas a fruta lindíssima vem da Amazônia e fazia tempo que eu não ficava com os dedos colados de pegar no visgo do caroço. Cola mesmo, cola mais do que jaca.

Comprei uma embalagem com seis unidades num horti-fruti aqui em São Paulo, mas a minha amiga Bell me contou que comeu um direto do pé, tirado por índio lá no interior do Amazonas onde estava de visita.

Para servir é só cortar em volta do caroço.