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Faz tempo que não preparo um bom caldo de galinha, ou melhor, de frango. Para dizer a verdade, eu não gosto muito. Acontece que machuquei o ombro e minha mãe, assim como a minha avó, são grandes fãs do caldo. Minha mãe diz que o colágeno ajuda na cicatrização dos ossos, ela garante também que adolescentes curam o acne e quem toma o caldinho de galinha durante a gravidez tem bebês lindos e de pele macia, nascem lindinhos. A lista de qualidades é enorme e tentadora. Ainda assim, não sou grande fã a não ser quando o caldo ganha uma versão adulta com algum tipo de bebida.

Os caldos de galinha quase sempre estão associados a algum tipo de cura, pelo menos nos livros de receitas mais antigos como o Cozinheiro Nacional do final do século XIX. Encontrei logo no primeiro capítulo uma divisão muito sábia, primeiro ensinam as sopas gordas. Nessa parte temos as receitas de caldo de galinha e outra de franga, isso realmente é tão antigo que seria preciso ter um galinheiro em casa ou um fornecedor excepcional.

 As sopas magras completam o capítulo, e algumas das receitas são mesmo muito magras, como a preparada com um pedaço de cará e água. As sopas para doentes tem sempre um pequeno detalhe que demonstram um carinho com as pessoas com a saúde combalida, que num mundo sem antibióticos sofriam bem mais do que hoje em dia. Em algumas acrescentavam um pouco de cerveja para dar sustança, ou uma fatia de pão para ajudar à digestão. Isso sem contar a grande variedade de mingaus.

Alguns nomes de sopa indicam o dono do fogão como a sopa dos colonos, com repolho e batatas na lista de ingredientes, sabe-se logo que é de origem alemã ou polonesa. As sopas com ovos pochês e fatias de pão vinham de Portugal. E, continuando a folhear o livro chega-se à lista de receitas de sopas magras com vinho. Muitas parecem um quentão com canela e, deviam ser servidas assim mesmo, meio mornas nas noites quentes.

 A minha sopa é de frango, não sei qual o sexo, mas imagino que masculino para se deixar as frangas como operárias poedeiras nas granjas. Não sei nada sobre o assunto. Compro frango orgânico, testei alguns frangos caipiras – aqueles que são criados soltos comendo milho, também são gostosos, principalmente para guisados com quiabos ou tomates e batatas. De volta à sopa, no final achei que o sabor pedia um charme, para torná-la mais interessante acrescentei aproximadamente um quarto de xícara de vinho do Porto, do mais simples, tipo Ruby. Deu certo, a canja ficou deliciosa.

 Veja a receita completa do caldo de galinha.