Apareceram no Brasil, com esse nome por volta do início dos anos 70. Foi o primeiro grande boom de turismo argentino no Brasil. Na verdade, para nós cariocas foi de fato a primeira vez que víamos tanta gente falando outra língua pelas ruas da cidade, estrangeiros no Rio de Janeiro daquela época só mesmo os marinheiros que paravam no porto. A cidade era tão pequena que sabíamos a nacionalidade pelos uniformes – quepe com pompom vermelho eram os franceses, quepe branquinho e calças de boca larga e botões frontais, americanos do norte.

Vizinho de fronteira só tinha mesmo um homem que vendia tapetes, diziam que era boliviano, andava vestido com o traje típico dos povos incas, com chapéu coco e tudo. Era muito comum vê-lo andando na Avenida Atlântica. Sempre nos cumprimentava na altura da Praça do Lido. Eu morava no Leme e voltava do balé caminhando pela Avenida Atlântica.

Mas os argentinos e muitos uruguaios chegaram, em parte por conta da decadência financeira e de muitos outros estragos de uma ditadura militar que na Argentina culminou com o vexame da guerra das ilhas Falkland (afinal o dono dá o nome à sua posse) há dez anos. Os recém-chegados trouxeram algumas novidades deliciosas e as empanadas são apenas um exemplo.