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Nasci gostando de cozinhar, o cheiro, a feira, a receita e principalmente sempre me especializei em juntar receitas. Muitas, de hoje, ontem e de anteontem, uma mania mesmo de colecionar, com o tempo estudei e aprendi a mexer nas panelas, temperar, montar pratos para apresentá-los. Sempre achei, confesso que meio de lado, que cozinhava para me distanciar das mulheres da geração de minha mãe, foram elas que abriram mão de chegar perto da cozinha para assumirem profissões diversas e como meu pai descrevia lindamente, capricharem no almoxarifado: mesa farta, bem cuidada, com excelentes fornecedores contatados durante anos no seu caso de maneira completamente profissional, ligava para seus fornecedores e fazia seus pedidos ou, enquanto moramos no Leme, deixava a lista de compras em uma das barracas da feira e o feirante providenciava frutas, verduras e peixes.

Sucesso de escolha absoluto, que lhe permitiu fazer faculdade de história depois de casada, mestrado e doutorado na França, dar aulas na Escola de Belas Artes, ter muitas atividades extra-curriculares, orientar alunos, achar que sempre deveria criar e principalmente acreditar na cultura brasileira completamente deixada de lado nos dias de hoje por uma classe política que, com algumas poucas exceções, tem sérios problemas de identidade e não sabem como encontrar as soluções para o país dentro da nossa cultura. Uma pena, toda vez que queremos ser outros – matamos o que só nós temos que é a nossa cultura popular, nossos índios, nossos alunos e minha mãe acreditava que ser professora era a melhor e mais importante profissão do mundo. E hoje, na hora de seu enterro, aprendi com o Rabino que a acompanhou que no Velho Testamento da Bíblia, Deus concorda com ela.