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Sinceramente, cansei de ver um monte de gente cozinhando umas comidas horríveis e bons chefs em seus locais de trabalho dizendo no ar que aquilo que lhes é servido é passível de ser engolido. Eu tenho uma longa herança com o Claude Troigros, a quem não conheço pessoalmente, vem de minha mãe que enquanto viveu foi sua vizinha e também como professora na França sua nêmeses. A cada vez que ele saía do caminho da gastronomia ela fica simplesmente passada. Achava que era talento jogado fora.

Concordo com ela. Vejam bem, minha não tinha nada contra o meio eletrônico, pelo contrário, durante anos fez parte de um programa na TV Tupi carioca, canal 6, o Super Bazar, comandado pelo jornalista Edna Savaget, primórdios da televisão brasileira nos anos 60 e até adoecer em 2013 manteve um blog sobre arte e futebol, Na Zaga e nas Artes, recomendo a leitura.

https://nazagaenasartes.wordpress.com/page/13/

Tinha ainda a peculiaridade de ter sido professora universitária na França, na cidade de Tours uma das regiões mais tradicionais da gastronomia francesa e, ao mesmo tempo, ter sido durante toda a sua vida a grande defensora da cultura brasileira. Foi da primeira turma da Escolinha de Arte do Brasil e, para quem não sabe, parte do grupo de pessoas que explicou aos atrasados ministros da educação (em letra minúscula que até hoje ainda estão merecendo) que arte é para todas as classes sociais como forma de expressão e que arte é o que nos torna seres humanos. Acabaram com as aulas de bordado para vender e fazer um dinheirinho que de fato não ajudava em nada a realidade financeira de nenhum aluno a não ser quando em escala de milhares de bordadinhos vendidos.

Pois é, os programas de TV de comida como Taste, Masterchef e chamem como quiser, são como os projetos de caridade do Brasil dos anos 60, tal como eram as aulas de bordados na rede de escolas públicas – de envergonhar a quem faz e a quem participa. Quem participa porque obviamente não terão nenhuma oportunidade como chef pelo simples fato de que não sabem cozinhar. Quem faz porque se o programa prestasse o prêmio seria por exemplo um curso de seis meses em uma escola de culinária de prestígio em Nova Iorque com tudo pago, na Culinary Institute of America em San Antonio no Texas onde a chef Mara Salles dá aulas, ou se oferecia um estágio para lavar louça em um dos restaurantes da família Troigros, no Rio, na França ou onde fosse. Cem mil reais parece muito, mas é menos que o valor de uma máquina de fazer sorvete nova, dessas profissionais que batem oito litros por vez e que é um equipamento necessário. Não dá para abrir um restaurante, portanto é manter a turma no mesmo lugar. Uma pena.

Culinary Institute of America em San Antonio, no Texas

Minha mãe era a maior fã dos Troigros, e quando seu filho Thomas começou a cozinhar passou a comer sempre em seus restaurantes. “Temos que prestigiar a nova geração minha filha, que coisa boa que ele fez para o filho e para a filha”, dizia. Achava que Claude Troigros tinha de fato encontrado o seu tom de voz na TV com seu fiel escudeiro Batista ao dizer Que Marrravilha!

http://gnt.globo.com/programas/que-marravilha/