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Está quase no dia de homenagearmos a todos os santos e mártires do Cristianismo. Como o ano no ocidente só tem 365 dias, faltaram dias, por assim dizer e reuniram todos em um só dia. Todos os Santos em português, toussaints em francês, All Saints em inglês. A diante eu explico porque dou os nomes em outras línguas além da nossa.

Hoje não mais honramos Todos os Santos como no passado, por motivos outros que a religião colocamos bruxas e abóboras na véspera – o Halloween, cujo nome ainda é vinculado à liturgia católica, mas a festa não. Eram três dias de festas, primeiro espantava-se o diabo – halloween, depois festejava-se os santos – Todos os Santos e em seguida as almas dos antepassados – Finados. Era uma época do ano pesadamente religiosa, uma vez que dali em diante contavam-se os dias que faltavam para o Natal. Final de ano era dia de São Silvestre e não havia uma relação direta com os santos e as almas, mas o dia de Reis, 6 de janeiro, esse sim era importante dentro desse ritmo de festas religiosas.

Podemos dizer que todas essas festividades se relacionavam com a vida pagã, como se proporcionasse uma compreensão mais profunda da história da religião. Nem sempre druidas e celtas explicam o cristianismo, que de fato, surgiu no Mediterrâneo em torno de religiões como o judaísmo e os cultos a muitos deuses na Grécia e em Roma.

Os pedidos de proteção para os recém-nascidos da Antiguidade permaneceram na tradição de se dar o nome do santo do dia aos filhos. Um dos meus preferidos é Natalino, em homenagem ao nascimento de Jesus e, agora que chegou o dia de Todos os Santos, quero prestar a minha homenagem ao nome do dia em francês, Toussaint.

O Toussaint mais conhecido da história ainda tinha como sobrenome a palavra abertura – Toussaint Louverture, foi um escravo na colônia francesa de Santo Domingo – no atual Haiti, que lutou pela liberdade dos escravos na ilha durante a Revolução Francesa. A situação é, no entanto um pouco mais complicada.

O Haiti, assim como o Brasil, durante o século XVIII, era uma colônia e o seu principal produto de exportação era o açúcar. Já naquela época a ilha era habitada proporcionalmente por poucos europeus e muitos escravos. Toussaint Louverture era brilhante, e foi um grande líder, entendia muito bem do que se tratava a revolução na França que, em um primeiro momento, em 1789, declarou que todos os homens era iguais e livres. Mas, rapidamente, em 1791, entendeu que todos os homens brancos eram iguais e livres e, em um momento mais adiante, Napoleão Bonaparte, um de seus principais generais, entendeu melhor e se declarou imperador.

A minha descrição dos incidentes no Haiti é superficial, e bem mal humorada, talvez porque não me coloque do lado de uma legislação tão terrível. Não deu muito certo, como era de se esperar de uma revolta que atacou uma das principais fontes de renda do império francês, as plantações de cana e os engenhos de açúcar. E que, apesar de reprimida, também poderia ter sido deixada quieta com Toussaint L’Ouverture como o seu novo chefe de estado. Feitas as contas, a colônia nem era tão rentável e Napoleão nos anos seguintes se desinteressou das Américas, vendeu o estado de Louisiana para o governo norte-americano e abandonou a ilha de Dominica à sua sorte.

No Brasil, em 1837, tivemos uma revolta semelhante que também foi duramente reprimida. Conhecida como a revolta dos malês, como eram chamados os escravos muçulmanos de diferentes grupos africanos, que se rebelaram contra o domínio português no início do século XIX. A intenção estabelecer um governo próprio na região. Só que os grandes impérios coloniais da época não se propunham a abrir mão de seus interesses econômicos do modo como se apresentavam. Não cediam. Mas, fica a homenagem por alguém que lutou pelo que era seu de direito, a igualdade entre os homens e a liberdade de se expressar e viver como se deseja, um pouco como os mártires do começo do cristianismo.

No dia de Todos os Santos, homenageie a todos que foram atrás de suas verdades com um lindo jantar entre amigos.

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Para saber mais sobre Toussaint L’Ouverture

Revolta dos Males