Antigamente matava-se uma ave e ela ficava pendurada crua por certo tempo. O sangue escorria e a carne gentilmente começava a apodrecer, a passar e a amolecer. Não faziam isso com os frangos soltos nos quintais, mas com patos e outras aves selvagens com menos carne e mais duras. Tomava gosto, e depois para não estragar de todo era cozida e guardada coberta com uma grande camada de gordura. Durava o inverno, a gordura impedia que se formasse uma camada de ar em volta dos pedaços que não mofavam.

Não se faz mais isso e, se quisermos um pato ou um ganso confit, isto é cozido na sua própria gordura, podemos comprá-los em alguma delicatessen especializada.

Mas o frango, esse coitado que é criado em granjas com ração e chega à nossa casa dentro de um saco plástico e com outro saco plástico no ventre com os miúdos precisa ser preparado para ficar saboroso e macio. Não sei bem se ele tem gosto de frango. E, pensando bem, não sei mais qual é o sabor do frango. O fato é que antes de fazer um frango, qualquer que seja a receita, eu primeiro o deixo de molho de um dia para o outro em uma vasilha com água e sal. Ultimamente experimentei deixar de molho em uma mistura de iogurte e água temperada com sal. No dia seguinte preparei a receita, e a carne estava deliciosa, molhada e delicadamente temperada com textura correta.

Veja aqui algumas sugestões de pratos com frango.