Antes do pudim de leite condensado se transformar no rei dos pudins da mesa brasileira existia, nas cozinhas cariocas, uma outra receita talvez tão boa quanto a hoje mais famosa e ultrapopular. Provavelmente perdeu o seu lugar por não oferecer a mesma garantia de sucesso do produto industrializado. Não por ser industrializado, mas porque como o próprio nome diz, é condensado, retirou-se o excesso de água do leite, tornando-o denso. Densidade essa que só vai ser parcialmente adquirida na receita original após um certo tempo no forno.
Se os alimentos industrializados representam uma vida moderna, prática e com um ritmo mais ágil, o pudim de leite condensado chegou na hora exata na cultura brasileira, ávida por novidades e com um enorme bico-doce, resultado de muitos anos de fartura açucareira.
O pudim original chama-se Crême Renversée e a origem da receita a seguir é um caderno de família com receitas do século XIX e começo do século XX. Reparem como é uma receita simples e que, em tempos de fogão de lenha ou carvão o pudim era cozido sobre a chapa do fogão para só depois ir ao forno para dourar e assim evaporar um pouco mais a água para se obter a consistência mais firme.
Preparar um pudim era fácil, daí os cadernos antigos trazerem muitas receitas e variações. A chapa do fogão estava sempre quente e na temperatura certa para o banho-maria, o forno que assava o bolo teria que já estar esfriando, forno quente demais sola o bolo, o que limitava a hora de ser bater um bolo – só depois do almoço quando a fornalha era mantida com as brasas baixinhas até o momento de esquentar o jantar. Já não se come mais pudim como sobremesa. Caiu no esquecimento e, quando queremos muito, esperamos algum amigo servir no aniversário, preparado pela mãe ou, em caso de profundo desejo, pedimos para a avó.