Para quem não conhece a cidade é fácil nem saber que o Rio de Janeiro começou no que hoje é o centro e se desenvolveu primeiro em direção ao norte, assim a tal da Zona Norte hoje em dia menos exaltada que a área sul da cidade já foi, por muito tempo, o local onde se vivia bem. Ali, embora hoje não seja mais possível reconhecer essas amenidades, já foi muito aprazível. Ruas largas, bem arborizadas e inclusive em algumas áreas com muitas casas nos morros. A Tijuca dirige-se, por assim dizer, para um enorme maciço de montanhas e está em frente para o que foi a residência da família imperial e hoje é o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista.

Vez por outra, aparece por ali um botequim que faz sucesso. Logo um monte de gente se junta na frente e aos poucos compram as casas ao lado. Pronto, fez sucesso. Assim foi com o Aconchego Carioca, passou de um botequim feioso a um restaurante jeitoso. É comida de bar, típica do momento culinário brasileiro com releituras do velho repertório e algumas vezes fica muito gostoso como é o caso dos bolinhos de feijoada e um rissole de massa de fubá chamado no cardápio de pastel de angu.

Clique aqui para ver a foto do bolinho de feijoada.

Os bolinhos são realmente excepcionais. Primeiro pedimos os bolinhos de feijoada, o motivo de toda a fama do restaurante. Dizer que uma massa de feijão é delicada é exagero, mas é bem temperada e recheada de couve e uns pedacinhos de toucinho. Muito bom. A porção é servida com a pele do porco pururuca igual pipoca e uma batida de limão.

O segundo pedido foi um ótimo rissole preparado com fubá, bem amarelo, que no Rio chamam de angu, recheado com requeijão, uma beleza, pedacinhos de folhinhas de alecrim flutuavam no recheio quente.

Clique para ver a foto do pastel de angú.

O prato que pedimos foi um escondidinho de carne seca. Não saberia dizer se foi a falta de apetite, culpa dos bolinhos de bom tamanho, ou se a maneira como que é preparado não me encantou. Os acompanhamentos estavam perfeitos, o feijão verde com tempero suave, a farofa de dendê com o perfume certo, o arroz é soltinho e com os grãos gordos.

O escondidinho como diz o nome é a carne seca desfiada coberta com um purê de aipim coberta com queijo coalho. No Aconchego Carioca, em baixo das fatias bem finas de queijo coalho tem um purê de tapioca e a carne de sol cortada fina, carne de primeira no lugar da carne seca desfiada e muito boa. A tapioca ou o purê de aipim tem coco. E também é muito boa. Mas os muitos gostos contidos em tão pouco espaço no lugar de resultar em uma explosão de sabores deixaram o prato sem personalidade. Menos exuberância pode ser boa escolha em alguns casos.

Vale o passeio para quem pouco vai à Tijuca e no lugar dos pratos, escolha um de cada dos pasteizinhos e entradinhas. Divirta-se com as cervejas e com o serviço amigável dos garçons.

Aconchego Carioca
Rua Barão de Iguatemi, 379 – Praça da Bandeira.
T.: 11 22731035.
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Como chegar

A seguir algumas receitas da Cozinha da Marcia para matar a vontade de um bom botequim.