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Imaginem uma linda casa antiga no alto da Ladeira da Glória, ao subir a ladeira você é transportado para uma das vistas mais lindas da cidade, de uma lado a Baía de Guanabara, do outro as muralhas do Outeiro da Glória e sua capela – N. Sra. do Outeiro, uma joia do barroco brasileiro. O coletivo Junta Local  reúne periodicamente na Casa da Glória  produtores orgânicos para vender seus produtos, tudo ali bem ao lado do Outeiro, em uma casa de festas linda com uma enorme quintal com mangueiras. Além de chocolates, cafés, queijos de cabra, ovelha, pães, embutidos, doces, ainda é possível almoçar e comprar doces dos mais rústicos, como os da turma que seca bananas no Litoral Norte de São Paulo ou picolés deliciosos produzidos em pequenas quantidades.

Almocei por lá com minha amiga-irmã Lucila Avelar que topa todas as excursões que faço quando vou ao Rio, sempre preciso recarregar as carioquices até a próxima volta. Comemos muito bem, panquecas, o nome correto é galettes, finas, muito finas, preparadas com trigo sarraceno, que não é um trigo mas um cereal – Fagopyrum esculentum, também conhecido como o kasha que os judeus preparam como um arroz e os franceses utilizam a farinha para fazer a massa de suas panquecas salgadas. As panquecas com recheio doce são tradicional mente preparadas com farinha de trigo e são chamadas de crepes, galette é o nome daquelas com recheio salgado.

O recheio tradicional é com presunto-queijo-ovo temperados com sal e pimenta, mas sempre se acrescenta aquele charme francês aprimorado em muitos séculos em serviços de gastronomia. Minha galette também tinha no recheio molho provençal – tomates com salsa, tomilho, orégano, manjericão e alecrim, e meio escondido um molho de cogumelos, desnecessário. Lucila pediu uma versão mais completa com queijo brie e azeite com tempero de trufa. Talvez nem tudo seja orgânico ou produzido a menos de duzentos quilômetros como recomenda o movimento do Slow Food, mas é uma boa iniciativa, os produtos valem a pena e o passeio também.

www.cozinhadamarcia.com.brAcompanhei com uma taça de cidra da Bretanha no Norte da França. Bebida boa, servida muito gelada como gostamos aqui no Brasil. As sidras aos poucos vão aparecendo nas lojas de bebidas, as tradicionais são francesas, mas os americanos também produzem sidras deliciosas que chegam ao mercado no começo do verão. O Brasil tem alguns fabricantes em pequena escala, ouvi elogios e por isso acho que deve valer a pena garimpar e experimentar. Devo confessar que preciso me informar melhor, não as bebi recentemente, apenas ouvi falar.

 

Junta Local – http://www.juntalocal.com/junta/comuna

Igreja da Nossa Senhora do Outeiro da Glória – http://outeirodagloria.org.br/

Mistral http://www.mistral.com.br/loja/categoria/Sidra