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Tenho a mania de seguir uma mesma receita em diferentes livros e cadernos, desde os mais velhos, antigos mesmo, até aquelas que encontro na internet. Vira e mexe, é verdade que com pouca frequência é verdade, dou uma sorte como se diz e encontro algo que me explica na prática o nome de uma receita.

Aconteceu comigo e as brevidades. Para quem não conhece, brevidades são bolinhos individuais preparados com polvilho de mandioca no lugar de farinha. Já foi também preparada com fécula de araruta – mas essa praticamente desapareceu dos mercados. Bolinho meio seco quando comprado nas padarias e muito macio se feito em casa. E, como toda receita daqueles tempos de fartura é preparada com muitos ovos, principalmente as gemas. Não tenho muita certeza para afirmar se a origem do nome brevidade veio por ser uma receita curta, quer dizer com menor número de ingredientes, ou porque o polvilho assa mais rápido do que a farinha de trigo, resultando em bolinhos prontos em tempo menor.

Ou, por outro lado o Doceiro Nacional, um livro de século XIX, tem várias receitas de bolos abreviados, de Minas, à moda de São Paulo, de Goiás e de arroz. Abreviados, brevidades, breves bolos. Pode ser. A receita é a mesma que usamos hoje; os livros não comentam a sua origem ou de seu nome. É um bolinho gostoso para servir nas festas de São João, combinam com quentão e fogueira.

Para quem tiver vontade de experimentar segue a receita do Bolo mineiro abreviado : mistura-se uma dúzia de gemas e sete clara de ovos com uma libra – 454 g – de polvilho doce, uma libra de açúcar, duas xícaras de nata de leite, ou na falta desta uma xícara de leite misturada com duas colheres de sopa de manteiga em temperatura ambiente, um pouco – meia colher de chá de sementes de erva doce. Amassa-se bem e distribui-se em forminhas individuais untadas e assa-se em forno quente.

A imagem da festa de São João é da Djanira da Motta e Silva, uma grande pintora brasileira, cujo trabalho retratava com frequências as paisagens e as festas do nosso povo. São João, a maior festa popular do país, deixando-se o Carnaval de lado, sempre atrai adultos e crianças com suas brincadeiras, cantigas e comidas típicas. É uma festa de boas lembranças e por isso foi retratada por quase todos os grandes pintores brasileiros, Di Cavalcanti, Heitor dos Prazeres, sem contar Alfredo Volpi que transformou as bandeirinhas que enfeitam os quintais em uma abstração em sua obra.

Clique aqui para saber mais sobre a Djanira.

A imagem do quadro é do artigo do site Catraca Livre, sobre exposição comemorando os cem anos da artista. Clique.

Veja aqui receitas de São João da Cozinha da Marcia – tem brevidade, bolo de Santo Antônio, canjica doce e salgada, bolo fubá então tem receita para escolher. Aproveite!