Não me perguntei a razão, mas meu pai sempre que dizia essa frase ?the proof of the pudding is in eating? ? e ele a repetia sempre que tà­nhamos pudim na sobremesa, achava muita graà§a. Era como se ele lembrasse de alguma situaà§ão extraordinà¡ria, talvez o momento em que a ouvira pela primeira vez. Assistà­amos a uma dessas situaà§àµes que os inglàªses também de maneira prà³pria descrevem como a private joke, a traduà§ão literal é uma piada particular, uma explicaà§ão mais adequada seria uma piada individual uma vez que a histà³ria discorre na mente de um indivà­duo e, infelizmente, não somos convidados a compartilhar.
Os pudins na casa da minha mãe não variavam muito ? havia o pudim de leite, de leite moà§a com laranja e um terceiro com queijo parmesão. Algumas vezes um manjar branco com calda de ameixas; não me lembro se todas as receitas eram preparadas a partir do leite condensado. Não tinham nada de extraordinà¡rio para gerar aquela graà§a toda a qual certamente residia mais na frase do que no doce.
Anos mais tarde me interessei por pudins sem leite condensado, engrossados com farinhas, amidos ou gemas de ovos misturados ao leite ? o flan espanhol e o portuguàªs. E finalmente cheguei aos pudins à  moda inglesa, de consistàªncia mais prà³xima de bolos cozidos no vapor.

Essas receitas aparentemente complexas por utilizarem muitas especiarias, passas e outras frutas secas, são cozidas em lindas formas de alumà­nio trabalhado tampadas, sempre me desanimavam na hora de preparà¡-los. O momento de retirà¡-los da forma me estressava e ainda estressa, sofro de ansiedade e acabo por virar o pudim antes do tempo, ainda quente e com o risco de quebrar. O pudim preparado dessa maneira pode ser cozido na forma forrada de caramelo ou ainda vai ser umedecido depois de pronto com uma calda algumas vezes com uma bebida como o rum.

Hoje o forno do fogão aqui de casa quebrou e resolvi testar um pudim e descobri que posso preparar alguns tipos de pudins a partir de um bolo cozido em poucos minutos no micro-ondas.