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Nova regulamentação entra em vigor no dia 11 de abril quando o Brasil poderá exportar a cachaça aos EUA como produto de origem exclusiva

Para o governo dos Estados Unidos, a cachaça é uma bebida típica e característica do Brasil, que não pode mais ser confundida com rum ou vodka. A nova regulamentação publicada no equivalente norte-americano do Diário Oficial e que entra em vigor no dia 11 de abril é comemorada pela cachaçaria Weber Haus, de Ivoti (RS). Só em 2012, a empresa familiar de produção 100% orgânica, sediada na chamada Rota Romântica do Rio Grande do Sul, exportou mais de 50 mil litros de cachaça artesanal para os EUA. Um de seus principais pontos de venda naquele mercado, onde está desde 2007, é a rede de churrascarias Fogo de Chão.

“O importante é que a cachaça não precisa mais se enquadrar na legislação do rum ou da vodka, por exemplo. Até pouco tempo eles vendiam como brazilian rum. Agora passam a tratar como uma bebida distinta e específica, chamada cachaça. A nova regulamentação valoriza a característica real do produto, o que há dentro da garrafa para o consumidor”, explica a gerente de exportação da Weber Haus, Denise Hörlle.

As linhas completas Weber Haus e Lundu estão disponíveis em solo norte-americano em lojas especializadas, nas chamadas liquor stores, lojas de souvenires e outros restaurantes. Os rótulos elaborados em Ivoti também já foram servidos em duas edições do Brazilian Day, em Nova York, a mais recente delas em 2012.

“Além de ficar assegurada a exclusividade para produtores brasileiros, este avanço nos EUA ajudará a cachaça a escapar da possibilidade de tornar-se um destilado genérico como a vodka e o rum, que são produzidos em todo mundo”, conclui o presidente da diretoria executiva do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Vicente Bastos Ribeiro. Em 2011, as exportações de cachaça foram US$ 17,3 milhões para todo o mundo. Desse total, US$ 1,8 milhão, pouco mais de 10%, foi vendido para os Estados Unidos.
Histórico – Os diálogos entre os EUA e o Brasil envolvendo a cachaça são antigos. Há cerca de 40 anos a bebida faz parte de tratativas entre os dois países. O diálogo se intensificou na última década, justamente depois da obrigação de uso da expressão “Brazilian Rum” nos rótulos do destilado brasileiro. As discussões foram lideradas pelos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e das Relações Exteriores (MRE) e pelo Ibrac.

Com a mudança, a promoção da cachaça no mercado americano poderá levar em conta seu caráter típico, tradicional. Também fica proibido o uso da denominação cachaça por empresas de outros países. Em contrapartida, o Brasil vai reconhecer como legitimamente americanos os uísques do tipo Bourbon e Tenessee.

Sobre a Weber Haus – A cachaçaria Weber Haus possui 18 hectares de canaviais próprios em Ivoti, interior do Rio Grande do Sul, na chamada Rota Romântica. A empresa está sediada no mesmo lote de terras onde a família de imigrantes alemães alojou-se há quatro gerações, e opera com destilaria desde 1848.
Os principais mercados externos dos produtos Weber Haus são Estados Unidos, China, Alemanha, Itália e Canadá. Em solo brasileiro, destacam-se São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Paraná.

Desde 2005, quando ganhou o primeiro título internacional, a Weber Haus acumula mais de 30 prêmios em oito diferentes rótulos de seu catálogo.

Crédito das fotos: Jane Prado / Divulgação