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Perspectivas para a colheita da uva foram debatidas ontem pelo Ibravin, com participação de representantes do Governo Federal que tranquilizaram setor sobre a colocação da produção de uva

Com volume em torno de 630 milhões de quilos, a safra de uva no Rio Grande do Sul este ano deve apresentar uma ligeira diminuição em quantidade. Já em termos qualitativos, até o momento as uvas têm apresentado excelentes condições de sanidade e desenvolvimento. Como a perspectiva de chuva para o verão é de precipitação inferior à média registrada no Rio Grande do Sul, este prognóstico deve se estender ao restante do período de colheita. A reunião para avaliação da safra 2013 foi realizada na tarde desta segunda-feira, dia 21 de janeiro, na sede Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e contou com a presença de representantes de entidades do setor como a Comissão Interestadual da Uva, da União Brasileira da Vitivinicultura (Uvibra), da Associação Gaúcha de Vinicultura (Agavi), da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho), da Associação Brasileira de Enologia (ABE), além de titulares de pastas do Governo Federal como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

 Tanto representantes dos produtores rurais como das indústrias concordaram que as preocupações sobre uma possível dificuldade na colocação da uva não devem se confirmar devido à redução do volume em torno de 10% sobre o ano anterior. Ainda assim, os representantes do Governo Federal presentes na reunião garantiram que, caso se façam necessários, os instrumentos para apoiar o escoamento da safra serão acionados. “Foram realizadas inúmeras reuniões desde o ano passado para evitar e desfazer esse sentimento de frustração e especulação que ronda o setor. Acredito que teremos tranquilidade na safra deste ano”, observou o diretor de Política Agrícola e Informações (Dipai) da Conab, Silvio Isopo Porto.

 Ele classificou o cenário atual como extremamente positivo em função de investimentos que estão sendo feitos pelas indústrias e cooperativas, da qualidade observada na matéria-prima e da assinatura do acordo setorial em dezembro passado. Nessa avaliação, Porto citou ainda iniciativas como as campanhas promocionais do vinho brasileiro feitas pelo Ibravin, o acordo de comercialização fechado também em 2012 com as empresas importadoras e supermercadistas, o aumento de 30% para 50% de suco de uva natural na bebidas designadas como néctar, além de políticas públicas aplicadas no ano passado para auxiliar na redução dos estoques do setor como o Prêmio de Escoamento de Produção (PEP) e a aquisição de suco de uva de cooperativas. “Estamos buscando equilíbrio entre produção e comercialização da safra” ratificou o diretor executivo do Ibravin, Carlos Paviani.

 Em relação ao preço mínimo da uva, a Conab optou por manter em R$ 0,57 por quilo estabelecendo um percentual maior de ágio na tabela utilizada para pagamento ao produtor. Para cada grau que supere a base de referência, o produtor receberá 7,5% a mais ao invés dos 5% aplicados no ano passado. O mesmo percentual vale como deságio, para a produção entregue com níveis de açúcar inferiores aos 15 graus babo na uva Isabel, utilizados como base na tabela. Para 2014 a Conab sinaliza com uma valorização ainda maior, de 10%. “Para termos um vinho, espumante ou suco de qualidade, a matéria-prima tem que fazer jus. Por isso demos este passo extremamente importante para a melhoria da qualidade da produção”, observou o diretor da Conab.

Está agendada para o dia 29 deste mês uma nova reunião para acompanhamento do andamento da safra novamente com a presença de representantes dos diferentes elos da cadeia produtiva.

Comportamento da safra A estiagem que afetou parte do Rio Grande do Sul no ano passado deverá provocar uma pequena redução na produção de variedades viníferas como a Chardonnay e Pinot Noir, e em variedades americanas como Concord e Bordô. Entretanto, a Isabel, que tem grande representatividade na colheita gaúcha, deve registrar volume igual ou ligeiramente superior à safra de 2012, quando foram colhidos 696 milhões de quilos de uva no Estado.

 Em relação à qualidade, as vinícolas da Serra Gaúcha estão comemorando a sanidade e graduação de açúcar observadas nas variedades viníferas colhidas até o momento. “Não houve registros significativos desfavoráveis em relação ao clima e o ciclo produtivo da uva está bastante satisfatório”, observa o diretor técnico do Ibravin, Leocir Botega.

Uma particularidade da vindima 2013 é a antecipação de seu início entre 10 e 15 dias devido às altas temperaturas registradas na fase de maturação das uvas. Segundo Botega, em algumas regiões a colheita adiantou-se quase 20 dias. Esta mudança no cronograma da colheita não traz prejuízo à qualidade. Pelo contrário, as uvas destinadas à elaboração de vinhos brancos e espumantes deverão resultar em produtos de excelência em qualidade.

Foto: Gilmar Gomes